EBD

O Ensino Bíblico Gravuras

 

CURSO BÍBLICO: CONHECIMENTO DE DEUS

 

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

 

LIÇÃO 1 – CONHECIMENTO DE DEUS

 

Texto bíblico: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

 

[1]          Estrutura do texto

a.      revelação: A Verdade vos libertará (vv. 31-32)

b.      incompreensão dos Judeus:

                         i.Jamais fomos escravos...

                       ii.Como podes dizer: Tornar-vos-eis livres? (v. 33)

c.      esclarecimento de Jesus:

                         i.Quem comete o pecado é escravo...

                       ii.Se, pois, o Filho vos libertar, sereis realmente livres! (vv. 34-36)

 

[2]          Conhecer

a.      Significado: a palavra ‘conhecer’ vem do latim cognoscere (co + gnos) que quer dizer saber; ter noção, informação de algo (matéria) ou alguém (pessoa).

                         i.conhecer é uma relação entre sujeito e objeto; não há conhecimento sem um sujeito que conhece ou sem um objeto conhecido.

                       ii.curiosidade: a palavra latina para ‘saber’ está relacionada etimologicamente a sabor (sapere, ter gosto).

b.      Sentido bíblico: yâda (heb) refere-se à intimidade conjugal (p. ex., Adão e Eva, em Gn 4.1,17,25; Elcana e Ana, em 1Sm 1.19; José e Maria, em Mt 1.25; Lc 1.77).

c.      Obediência: pré-condição para conhecer a Deus; “Se alguém me ama, guardará a minha palavra” (Jo 14.15,21,23; 15.10); “Nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos” (1Jo 2.3,4,5).

 

[3]          Verdade

a.      Introdução: Pilatos perguntou a Jesus no julgamento: “O que é a verdade?” Paulo: “Nada podemos contra a verdade, senão a favor da própria verdade” (2Co 13.8).

b.      Significado: do latim veritate significa conformidade com o real, exatidão, autenticidade; aletheia (grego) é realidade; (hebraico) é integridade, fidelidade.

c.      Necessidade de verdade: a verdade é necessária em todas as áreas da vida (familiares, médicos, farmacêuticos, investidores, judiciário, política, mídia). Desejar a verdade pressupõe que a verdade existe, que pode ser reconhecida e que é válida para todos.  É impossível negar a diferença entre verdade e mentira.

d.      Verdades sobre a verdade:[1]

                         i.A verdade é descoberta e não inventada (p.ex., a lei da gravidade).

                       ii.A verdade é transcultural: a verdade é verdade para todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as épocas (p. ex., 2 + 2 = 4).

                     iii.A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar (p. ex. a terra era redonda e não plana).

                     iv.As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.

                       v.Todas as verdades são verdades absolutas, embora pareçam relativas (p. ex., "Eu senti muito calor hoje", a sensação pode ser relativa, mas o fato é real).

e.      Fonte de verdade: Deus é onisciente (sabe tudo sobre tudo) e perfeito em si mesmo; “Deus é a verdade” (Dt 32.4; Jr 10.10); Jesus: “Eu sou a... verdade” (Jo 14.6); “Espírito da verdade... guiará em toda a verdade” (Jo 14.17;15.26;16.13); “ a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).

f.        Revelação: para os cristãos, Jesus é a verdade absoluta revelada; ele é o Logos, a mente de Deus (Jo 1.14,17); “Eu sou... a verdade” (Jo 14.6; Cl 1.15-19).

                         i. “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho” (Hb 1.1,2);

                       ii.Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16).

g.      Permanecer: usado 40 vezes em João; exortação de Jesus: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (8.31). 

 

[4]          Libertação (vv. 32, 33c, 36a e 36b)

a.      Significado: do latim libertas que significa livrar, Para os judeus, a lei de Deus os guardava de cair sob servidão e trevas dos gentios (PÁSCOA).

b.      Escravo-filho: conforme a lei judaica, os escravos serviam por um determinado tempo e depois eram alforriados, mas o filho permanece na casa sempre.

c.      Dominação: o pecado e a morte (1Co 15.26; Hb 2.14,15);

                         i.“Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34,35);

                       ii.“Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23);

                     iii.“a lei do Espírito da vida te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2);

                     iv.“Se alguém guardar a minha palavra não provará a morte eternamente” (8.52).

d.      Liberdade espiritual: liberto do jugo do pecado para o jugo de Cristo (Lc 1.74-75).

                         i.“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36,52););

                       ii.“e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.18,22);

                     iii. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permaneçam, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gl 5.1,13).

e.      Jugo de Cristo: o jugo de Cristo é suave (Mt 11.28-30); os mandamentos de Cristo não são pesados (1 Jo 5.3); servos da justiça (Rm 6.16-22; 1Ts 1.9).

 

[5]          Aplicação do texto à vida cristã

a.      Conhecer: cognoscere (latim) quer dizer conhecimento mútuo, intimidade; então podemos dizer: “Sejam íntimos da verdade e ela os libertará”.

b.      Verdade: Jesus disse “Eu sou a... verdade” (Jo 14.6). Se Jesus é a própria verdade, então podemos dizer: “Sejam íntimos de Jesus e ele os libertará”.

c.      Libertação: se o homem está sob o jugo do pecado e da morte, e Jesus disse que seríamos verdadeiramente livres, então podemos: “Sejam íntimos de Jesus e ele lhes dará vida plena”.

 

[6]          Para refletir: 

Profeta Oséias: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Os 6.3).

Madre Teresa: “O nosso chamado não é trabalhar para Jesus. O nosso chamado é primeiro para ser de Jesus.”

Todo cristão é chamado à intimidade do Senhor. Que o Senhor mesmo abra os nossos olhos para ver e entender o privilégio deste chamado.

 


 

[1] GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu (p.38), Editora Vida.