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O Ensino Bíblico Gravuras

CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br) 

A EXPIAÇÃO DE CRISTO (1ª parte)

LIÇÃO 13 – 4º FUNDAMENTO 

[1]          Revisão:

a.Requisitos para expiação:

                    i. Quanto à natureza: Deus verdadeiro e homem verdadeiro.

                  ii. Quanto ao caráter: sacrifício voluntário; homem sem pecado.

b.Tentação de Jesus: tentado em todas as coisas, mas sem pecado. Ao vencer as tentações, Jesus estava afirmando: Deus é bom. Ele é fiel. Meu pai me basta. 

[2]          A Agonia do Getsêmani:

a.Agonia: Jesus pede a Pedro, Tiago e João, os três discípulos mais íntimos, que orem com ele: “A minha alma está profundamente triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26.38).

b.Oração: “Pai, se possível passe de mim este cálice” (Mt 26.39). Oração intensa, suor de sangue – hematidrose – sofrimento mental e físico extremo.

c. Cálice: figura comum na Bíblia representando ira e punição (ver (Is 51,17; Jr 25.15-29; Ap 14.10; 15.5-8). A ira de Deus é descrita no AT como ardor, fogo, tempestade (Sl 2,12; 83,16; Is 13,13; 30,27s; Jr 15,14; 30,23); Paulo diz que todos são, por natureza, filhos da ira (Ef 2.3; Rm 3.25s)).

d.Questão: Se Jesus se ofereceu voluntariamente como Redentor, por que ele se expressou desta maneira? Será por medo, dúvida, fraqueza? Este é um momento incompreensível para nós. Ele agonizou sozinho. Os discípulos dormiram.  

[3]          Conflito de Jesus:

a.O maior tesouro de Jesus: a comunhão e perfeita com o Pai e o Espírito Santo — Trindade — na eternidade e em sua vida humana; todo prazer do Pai é para o Filho e todo prazer do Filho é para o Pai. 

b.O maior desejo de Jesus: fazer a vontade de Deus. “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34).

c. Conflito: para redimir o homem, estas duas coisas se chocaram — para fazer a vontade do  Pai, Jesus deveria perder a face do Pai.

d.Sofrimento: Ele poderia sofrer a traição de Judas, a negação de Pedro e a abandono de todos, mas perder a face do Pai era insuportável. “Eis que vem a hora e já é chegada, em que me sereis dispersos... e me deixareis só; contudo não estou só porque o Pai está comigo” (Jo 16.32).

e.Missão: Jesus sempre teve consciência de sua missão. “Agora está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? mas precisamente com este propósito vim para esta hora” (Jo 12.27); ver “Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18.11; Mt 26.52-54);

f.   Submissão: “contudo não se faça a minha vontade, e, sim a tua” (Lc 22.42) — Cristo foi perfeito em obediência, completamente submisso à vontade do Pai. 

[4]          Obra expiatória de Jesus:

a.Expiação: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46; citação do Salmo 22.1). Esta não é uma expressão qualquer — é resultado do sofrimento do Senhor por nós. Na cruz, a comunhão de Jesus com o Pai foi interrompida. Para cumprir a vontade de Deus e conduzir muitos filhos à glória (Hb 2.10), ele aceitou perde a visão da face do Pai por amor a nós.

b.Argumento: 1) a alma que pecar esta morrerá (o salário do pecado é a morte); 2) Cristo nunca pecou; 3) então por que ele morreu?; 4) ele morreu voluntariamente em lugar de outro.

c.  Substituição: na cruz, os pecados da humanidade foram lançados sobre Cristo. Quando os nossos pecados foram lançados sobre ele, o Pai não podia ter comunhão com o pecado. A própria Trindade foi ferida na obra da redenção.

               i.Pecado: “Àquele que não conheceu pecado, ele [Deus] o fez pecado por nós; para que nele [Cristo] nós fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).

             ii.Justiça: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (I Pe 2:24; 3.18).

           iii.Mas ELE foi ferido por causa das NOSSAS transgressões, e moído por causa das NOSSAS iniqüidades; o castigo que NOS traz a paz estava sobre ELE, e pelas SUAS pisaduras FOMOS sarados” (Is 53.5).

d.Imputação: imputar quer dizer lançar na conta de outro, creditar, atribuir (Fl 18); os nossos pecados foram lançados sobre ele; Cristo foi vestido com os nossos pecados e sobre ele foi derramado o cálice da justiça de Deus.

e.Cordeiro: Cristo nunca se tornou pessoalmente pecaminoso — ele sempre foi e sempre será o Cordeiro santo de Deus — mas, na cruz, os pecados dos homens foram punidos plena e satisfatoriamente perante Deus; a culpa não era dele.

f.   Provação: ele foi desafiado até o fim a não realizar a obra da cruz — “Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele” (Mt 27.42). Este insulto contém uma verdade tremenda: se Jesus tivesse salvado a si mesmo, ele não poderia nos salvar. 

[5]          Significado da expiação — o pecado:

a.Carne: Jesus foi feito carne a fim de assumir o lugar dos homens — “o Verbo se fez carne” (Jo 1.14);

b.Sem pecado: ele perfeitamente obediente a Deus e absolutamente sem pecado — “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós” (2 Co 5.21)

c. Maldição: ele assumiu o lugar dos malditos para libertá-los — “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldito em nosso lugar” (Gl 3.13)

d.Cruz: mostra a santidade de Deus e a malignidade do nosso pecado.

e.Morte: “Está consumado” (tetelestai) (Jo 19.30) —  uso comum em 3 situações:

                    i. Uso comercial: quitação de promissória (Cl 2.14: cancelou  a dívida);

                  ii. Uso artístico: conclusão de uma obra de arte (Ef 2.10: “poema”);

                iii. Uso cultural: indica o ato final de uma peça de teatro (“the end”); 

[6]          Para  refletir:

a.Reconciliação: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” (Ef 2.15); “No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis” (Cl 1.22). “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Co 5.18,19).

b.Expiação: só podemos ver a beleza da cruz, se virmos a beleza de quem lá estava — nosso Redentor Jesus.

c.Atanásio: Deus desceu para que nós pudéssemos subir: “Cristo se tornou o que nós somos para que Ele pudesse nos tornar o que Ele é”.

d.Martinho Lutero: “Não há nenhuma palavra na Bíblia que seja extra crucem, que possa ser entendida sem referência à cruz.”

LIÇÃO EXTRA

DOUTRINA DO PECADO 

[1]          Conceito de pecado:

a.      Existência de Deus: se não há Deus, o bem e o mal não têm sentido;  se Deus existe, Ele é a referência absoluta do bem e do perfeito;

b.      Moralidade: se o homem não é moral, não há pecado; se o homem é moral, então ele responsável perante um padrão superior;

c.      Referência: se Deus existe e o homem é moral, então Deus é a referência absoluta e o critério de julgamento;

d.      Sentido teológico: sendo Deus o supremo santo, ele não pode aceitar os pecados dos homens morais; sendo o homem pecador, ele está separado de Deus e condenado à morte — não-vida. O homem é incapaz de obedecer a Deus e, ao mesmo tempo, incapaz de redimir-se.  

[2]          Natureza do pecado:

a.      Pecado como um ato: transgredir, ou um ir contrário à Lei de Deus (1 Jo 3:4).

b.     Pecado como um estado: nossos atos são apenas expressões do nosso ser interior. A pecaminosidade íntima precede os atos manifestos do pecado.

                             i.As palavras hebraica e grega traduzidas por "pecado" aplicam-se tanto a disposições e estados como a atos.

                           ii. O pecado tanto pode consistir de omissão em fazer a coisa justa como de comissão em fazer a coisa errada.  (ver Tg 4:17).

                         iii.O mal é atribuído a pensamentos e afetos (Gn 6:5; Jr 17:9; Mt 5:22; Hb 3:12).

                          iv.O estado da alma que dá expansão a atos manifestos de pecados é chamado pecado, expressamente (Rm 7:8,11,13,14,17,20).

                            v.Alude-se ao pecado como um princípio reinante na vida (Rm 6:21).

c.      Pecado como um princípio: é rebelião contra Deus, recusar fazer a vontade de Deus e deixar de reconhecer  que ele tem direito de exigir obediência de nós.

d.      Pecado em essência: "enquanto o pecado como um estado é dessemelhança de Deus, como um princípio é oposição a Deus e como um ato é transgressão da Lei de Deus, sua essência é sempre e em toda a parte egoísmo" (Strong).  

[3]          Rebelião e egoísmo:

a.      Árvore: o pecado pode ser descrito como uma árvore de vontade própria que tem 2 raízes mestras: (1) um "não" para Deus e Seus mandamentos, e (2) um "sim" para o Eu e interesses do Eu.

b.      Frutos: esta árvore é capaz de dar qualquer espécie de fruto no catálogo dos pecados. O egoísmo está sempre manifesto no pecador na elevação de "algum afeto ou desejo inferiores acima da consideração por Deus e Sua Lei" (Strong).

c.      Egoísmo: o pecado está diretamente ligado ao egocentrismo. A Bíblia diz que nos últimos dias está dito que "homens serão amante de si mesmos" e também "amantes dos prazeres antes que amantes de Deus" (2 Tm 3:2,4). Quando se revelar "o homem do pecado", ele será o que "se exaltará contra tudo o que se chama Deus" (2 Tm 2:4).

d.      O pecado, como egoísmo, tem 4 partes:

                             i."Vontade própria, em vez de submissão;

                           ii.Ambição, em vez de benevolência;

                         iii.Justiça própria, em vez de humildade e reverência;

                          iv.Auto-suficiência, em vez de fé" (Harris).

e.      Cobiça: o décimo mandamento — “não cobiçarás — implica diretamente o pecado interior do coração (Rm 7.7-9); Tiago diz que a cobiça gera o pecado (Tg 1.14-15) as manifestações exteriores são resultado do pecado interno; o mandamento de amar a Deus (gratidão) e o próximo (sem inveja) é o oposto da cobiça.

f.        Resumo:

               i. o pecado não é apenas resultado do desenvolvimento imperfeito do homem, mas é a perversidade da vontade e da disposição;

             ii. o pecado não é mero resultado da união do espírito com o corpo, porque o espírito também é pecaminoso;

           iii. o pecado não é mera finitude; pois, os anjos são finitos, mas sem pecado. Os santos glorificados ainda serão finitos, mas não terão pecado.  

[4]          A extensão do pecado no ser humano: 

a.      A depravação total não quer dizer

                             i.Que o homem está inteiramente privado de consciência (Rm 2:15).

                           ii.Que o homem por natureza está destituído de todas as qualidades louváveis segundo os padrões humanos (Mc 10:21).

                         iii.Que todo homem está disposto por natureza para toda forma de pecado.

                          iv.Que os homens são por natureza incapazes de se comprometer em atos que são extremamente conformes com a Lei de Deus (Rm 2:14).

                            v.Que os homens são tão corruptos como podiam ser (2 Tm 3:13).

b.      A depravação total quer dizer:  o pecado permeou cada faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de um corpo de água. O pecado urdiu cada faculdade no homem e assim ele polui todo ato seu.

c.      A base da depravação e da inabilidade espiritual é o coração: ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jr 17:9); do coração estão as fontes da vida (Pv 4:23); ninguém pode tirar coisa limpa da impureza (Jó 14:4; Mt 7:17,18; Lc 6:45).  

[5]          Libertação do pecado:

a.      Base de perdão e justiça: a cruz de Cristo, onde o inocente pagou pelos culpados.

b.      Arrependimento: Jesus começou seu ministério pregando: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 3.) Paulo diz que Deus notificou a todos os homens em todos os lugares para que se arrependam [gr. metanóia] (At 17).

c.      Amor: a essência da Lei de Deus é amar a Deus supremamente e aos outros como a si mesmo (Mt 22:37-39).  

[6]          Questões da expiação:

a.      Por que a divindade de Jesus é essencial?: Porque a nossa dívida fora contraída perante Deus, e apenas Deus pode satisfazer a lei à altura da santidade de Deus.

b.      Por que a humanidade de Jesus é essencial?: Porque o homem é o culpado, o devedor. Então, apenas o homem pode responder adequadamente pelo homem.

c.      Por que eu sou culpado?: o homem deve acertar sua situação com Deus. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). “A ira de Deus, se revela do céu contra toda impiedade, e perversão dos homens” (Rm 1.20).

d.      Queda: se o homem sempre foi mau, não há esperança, mas também não á explicação para os dilemas humanos. A Bíblia diz claramente que o homem foi criado bom e caiu ao se alienar de Deus, do próximo e de si mesmo.  

                        baseado no texto “A Doutrina do Pecado”, de Thomas Paul Simmons, D.Th, disponível no site www.monergismo.com