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O Ensino Bíblico Gravuras

CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br) 

A EXPIAÇÃO DE CRISTO (2ª parte)

LIÇÃO 14 – 4º FUNDAMENTO 

Texto devocional: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.” (1 Tm 3.16).

 

[1]           Introdução: o ponto de partida da expiação é a santidade de Deus.

a.      Se não há Deus: não há padrão moral (bem/mal) e não há explicação para a unidade e diversidade do universo nem para a complexidade do ser humano.

b.     Se há um Deus: ele é infinito-pessoal e santo absoluto, criador e provedor de tudo que há, de toda matéria e de toda vida.

c.      Se o homem não é moral: se não há referência, o bem e o mal não têm sentido e o homem não é responsável perante ninguém (Deus, estado, sociedade, família).

d.      Se o homem é moral: o homem é feito à imagem e semelhança de Deus; é finito pessoal; ele é moralmente responsável diante de Deus. 

[2]          Noções gerais sobre a obra da expiação:

a.      Sentido conotativo: “bode expiatório” pessoa sobre quem se faz recair as culpas alheias ou a quem são imputados todos os reveses (Aurélio).

b.      Sentido denotativo: remir a culpa, cumprindo pena; pagar; purificar-se de crimes ou pecados; sofrer as conseqüências  (Aurélio).

c.      Sentido histórico: dia da expiação dos judeus (Lv 16) todos os anos, no 7º mês, no 10º dia, o sacerdote escolhia dois bodes para a expiação; um bode era sacrificado e o outro enviado ao deserto para tirar os pecados do meio do povo.

d.        Sentido teológico: a expiação é o oferecimento sacrificial que o Senhor Jesus Cristo fez na cruz do Calvário, tornando-se o único Mediador entre Deus e os homens a fim de promover a reconciliação. Ele “desviou a ira” de Deus destinada aos pecadores (Rm 1.18); ele tomou nossa culpa sobre Si e suportou a ira de Deus, pagando completamente os nossos pecados na Sua carne (Jo 1.29).i 

[3]          1ª Questão por que a expiação?

a.      Deus é vida: nada e ninguém pode ter vida em si mesmo a não ser em Deus, senão nós teríamos que admitir a existência de outro ser auto-existente.

b.      Deus é santo: ele é o perfeito absoluto e santo absoluto; ele não poderia manipular o homem e também não poderia admitir passivamente o mal moral. Deus não coabita com o pecado (Is 59.1).

c.      Homem é moral: significa que o homem foi dotado de suficiente conhecimento do bem e é responsável por suas decisões.

d.      Homem é pecador: contaminado pelo mal, escravo do pecado e separado do Autor e Fonte da vida; o homem não é capaz de voltar para Deus, mas também não está disposto; “coração corrupto” (Jr 17.9); “todos pecaram” (Rm 3.23).

e.      Morte: o pecado separa de Deus e implica em morte final (Gn 3.1-2; Sl 9.17).

f.        Sangue: “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22).

g.      Culpa: o homem é culpado porque ele não apenas faz o mal, mas detesta o bem (2 Rs 17.13,14,18). “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas...” (Is 5.20; Jó 21.14). “A ira de Deus, se revela do céu contra toda impiedade... dos homens” (Rm 1.20).

h.      Dilema da expiação: Deus não é indiferente ou moralmente neutro.

                   i. Justiça: Deus poderia executar justiça e destruir o pecado, tendo com isto que destruir a raça humana.

                 ii. Amor: Deus poderia resgatar o homem de seus pecados, mas seria necessário fazê-lo sem transgredir sua justiça.

               iii. Conclusão: só o homem devia pagar, mas só Deus teria condições de satisfazer sua lei. “Deus entregou-se a si mesmo para livrar-nos dele mesmo” (John Stott). 

[4]          2ª Questão para quem a expiação?

a.      Para Deus: “A quem Deus propôs no seu sangue” (Rm 3.25).

b.      Em favor do homem: o mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5; Hb 10.5). 

[5]          3ª Questão como realizar a expiação?

a.      Vítima voluntária: “Eu dou a minha vida, ninguém a tira de mim” (Jo 10).

b.      Sem pecado: “Ele foi tentado em todas as coisas, mas sem pecado” (Hb 4.15).

c.      Santo: não apenas sem pecado, mas totalmente santo, inocente (Hb 7.26) 

[6]          4ª Questão quem poderia realizar a expiação?

a.      Homem: somente a morte do homem poderia atender satisfatoriamente a justiça de Deus. O homem é culpado e devedor. Então, somente um homem deveria responder adequadamente pelo homem e suportar o castigo pelo pecado.

b.      Deussomente Deus pode fazer o que é imensuravelmente digno, somente Deus tem a estatura de Deus para satisfazer a justiça divina (Hb 2.14-17).

c.      Cristo: o Filho de Deus encarnado tornou-se o único mediador entre Deus e os Homens, o único Salvador suficiente para redimir e reconciliar — Deus-homem.  

[7]          5ª Questão quais os resultados da expiação?

a.      Remissão dos pecados: o pecado é removido do registro do pecador; o pecado não tem mais domínio sobre nós para sempre (Ef 1.7; Rm 6.14; Ap 1.5).

b.      Salvação completa: o sangue de Jesus é eficaz para assegurar a salvação de todos que se arrependem (ou “por ele se chegam a Deus” - Hb 7.25; 10.18).

c.      Reconciliação com Deus: Deus foi reconciliado pelo sacrifício perfeito de Cristo, uma propiciação que satisfez completamente a justiça divina (1 Jo 2.2).

d.      Adoração: a expiação é central para a adoração e o louvor; para a pregação, para o batismo e a Ceia do Senhor; para missão, para o ministério e para a ética. Na cruz, o Pai e o Filho glorificam um ao outro e nós glorificamos a Deus.

e.      Boa vontade: Deus não deve esta misericórdia salvadora a ninguém, mas, a oferece perdão e salvação a todos por meio de Cristo.

f.        Juízo: a cruz de Cristo é juízo para os incrédulos; negligenciar o supremo dom de Deus é rejeitar a única base de nossa aproximação a Ele. Ninguém necessita fazer expiação pelo pecado; todas as tentativas de assim o fazer são uma rejeição de Cristo e de Seu sacrifício (Hb 2.3).  

[8]          Para refletir:

“Pela dosagem do remédio nós conhecemos a gravidade da doença. Pela extensão da pena, nós conhecemos a gravidade do delito.” Cristo era a única possibilidade perfeita de resgatar os homens. Se Cristo fosse apenas Deus, ele não poderia morrer por nós. Se Ele fosse apenas homem, seu sacrifício não seria suficiente para nos resgatar.  

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i           Linden, David. Uma breve declaração sobre a expiação. Site: www.monergismo.com