EBD

O Ensino Bíblico Gravuras

CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

LIÇÃO 23 – DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO (4ª parte)

 

Texto bíblico: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pe 2.24).

 

[1]          Introdução:

a. 3 tempos da salvação: justificação — espírito (passado); santificação — alma (presente); glorificação — corpo (futuro).

b. Santificação não é: destruição da natureza humana (impecabilidade); segunda bênção; batismo (ou enchimento) do Espírito Santo; dons e ministérios.

c. Santificação é: processo contínuo pelo qual o Espírito Santo produz semelhança com Cristo e no qual Deus gera todas as coisas e o cristão participa em todas as coisas (“desenvolvei”; “querer e “realizar” Fp 2.13).

d. Separação: separado DO mundo consagrado PARA Deus; “remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14).

e. 2 erros comuns: legalismo (confundir justificação e santificação) e antinomismo (dissociar justificação de santificação).

 

[2]          Deus e o homem na santificação:

 

a.Textos bíblicos:

 

HOMEM

DEUS

b) “purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a vossa santidade no temor do Senhor” (2Co 7.1)

a) “Tendo... tais promessas...”

a) “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor porque ...”

b) “...Deus é o que efetua em vós o querer e o realizar segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12)

b) “...por isto mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai...” (2 Pe 1.3-7) 

a) “Visto que pelo seu divino poder nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade...”

a) “...estas coisas vos escrevo para que não pequeis...”

b) “...Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2.1)

 

b. Monergismo: na justificação, Deus opera em nosso favor, sem qualquer participação humana; a obra da cruz é semelhante à mesa posta em um banquete; tudo foi feito e é oferecido de graça; basta aceitar e se servir.

c. Sinergismo: na santificação, Deus opera em nós, conosco; ele convence, inspira, efetua o querer e o poder fazer o bem, mas passa tudo pela nossa vontade.

d. Graça eficaz: envolve atividade e passividade.

               i.Paulo: “e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã, antes trabalhei ... todavia não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co 15.10; ver Cl 1.28,29).

             ii.Jonathan Edwards: “Na graça eficaz não somos meramente passivos, nem ainda Deus faz um pouco e nós fazemos o restante. Mas Deus faz tudo, e nós fazemos tudo. Deus produz tudo, e nós agimos em tudo. Pois é isso que Ele produz, isto é, os nossos atos. Deus é o único verdadeiro autor e a única verdadeira fonte; nós somos tão-somente os verdadeiros agentes. Somos, em diferentes aspectos, totalmente passivos e totalmente ativos”.

           iii.Deus: opera todas as coisas — o homem é passivo, isto é, ele não pode gerar nada; mas o homem é convocado a prestar, a reagir com obediência — o homem é ativo porque a graça não viola a nossa constituição.

 [3]          Responsabilidade do homem[i]:

a."Assim, pois" — o modelo é Cristo (Fp 2.5-11).

b.“Amados meus" (Fp 4:2,3): somos amados e plenamente aceitos em Cristo. 

c. "Como sempre obedecestes" — (hupakouo) significa literalmente "atender à porta", "obedecer, como resultado de ouvir".

d."Não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência" — recursos e responsabilidades individuais.

e."Desenvolvei a vossa salvação" — imperativo "esforçai-vos incessantemente para desenvolver a vossa salvação"; “operai” — denota esforço contínuo (1Co 15.10; Cl 1.29); não é ordem para incrédulos (não é ganhar a salvação), mas para crentes, para que se esforcem e sejam diligentes no viver santo (2 Co 7.1; Ef 4.1); não é "trabalhem pela salvação", mas "trabalhem na salvação" em direção à consumação da fé, em busca da santidade.

f.   "Com temor e tremor" — o pecado traz conseqüências e por isto devemos andar em santidade com temor (gr. phobos, fobia) e tremor (gr. tromos, trauma); Paulo  usa esta expressão em relação à obediência (2Co 7.15; Ef 6.5); temor de ofender a Deus, temor de pecar, de desonrar a Deus, do colapso moral, de entristecer a Deus e assim trazer a correção divina (ls 66.2, 5).

g.Conclusão: a santidade exige esforço, não é algo fácil, pois significa ter disciplina, seguir a Jesus, ser obediente à Palavra, exercitar os dons, avaliar as conseqüências do pecado e temer a Deus.

 

[4]          Ação de Deus:

a."É Deus...": ele dá o crescimento (1 Co 3) opera o que é sua vontade (Rm 8:30).

b.“efetua...": gr. energeo é energia ativa e produtiva; poder que opera o nosso progresso espiritual, a nossa santificação (Fp 1:6).

c. “em nós”: Deus "é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ..., conforme o Seu poder que opera em nós" (Ef 3.20; 2 Co 6:16).

d.“o querer (gr. thelo, inclinação) e o realizar”: Deus nos impulsiona a querer e a realizar, dá o desejo e a habilidade; dá desejos santos, agradáveis a Ele; “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13).

e.Como: (a) Ele opera insatisfação com a nossa natureza carnal; (b) Ele dá desejo pelas coisas santas e puras;  (c) Deus dá desejo de Lhe agradar, de causar satisfação e isso resulta em um proceder santo.

f.   “segundo a Sua boa vontade”: (gr. eudokia, satisfação ou agrado); Deus opera o que Lhe agrada, isto é, o desenvolver a nossa salvação com temor e tremor.

g. Relacionamento: queremos agradar a quem amamos; causar satisfação Àquele que perdoa as nossas iniqüidades, resgata-nos da condenação eterna.

 

[5]          Para refletir: 

Há uma maravilhosa combinação entre os nossos esforços e os recursos providenciados por Deus. Servimos a um Deus que nos dá poder para vivermos para Sua glória. Deus nos chama para vivermos vidas santas, mas é Ele quem nos santifica. Deus nos convoca a servi-Lo, mas, na realidade, é Ele mesmo que nos impulsiona a isso por meio do Seu próprio poder em nós.

 


[i]               MacArthur Jr, John F.  “Qual o Papel do Crente e de Deus na Santificação?”, www.monergismo.com.