EBD

O Ensino Bíblico Gravuras

 

CURSO BÍBLICO: INTEGRALIDADE DO SER

 

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

LIÇÃO 3 — EFEITOS DA DESINTEGRAÇÃO DO HOMEM EM ROMANOS 7 

Texto: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!” (Rm 7.24-25).

 

[1]          INTRODUÇÃO

a.      Dilema do homem: a separação do homem em relação ao seu Criador gerou morte (crise, separação fragmentação) espiritual, psicológica, social e ecológica.

b.      Lei de Deus X Lei do pecado: por ser criado à imagem de Deus, o homem está sob a lei de Deus; por ter caído em pecado, o homem está sob a lei do pecado — este é dilema de todo homem e a raiz da fragmentação (Rm 7.22,23,25;8.2,7).

c.      Pecado: contaminou profundamente a natureza humana; quanto maior a consciência do pecado, maior a consciência da grandeza da salvação em Cristo.

d.      Conceitos: termos associados à integridade do ser.

               i.Simples: latim simplice, que não é duplo, múltiplo, ou desdobrado em partes; que não é constituído de partes ou substâncias diferentes; uno; humilde; natural. 

             ii.Puro: sem mistura ou alteração; genuíno (original); sem impurezas; não infectado; sem manchas ou nódoas; limpo, imaculado; honesto, íntegro, probo.

e.      Objetivo: analisar o dilema interior do homem, especialmente do cristão, em relação à lei de Deus e o pecado; fragmentação entre saber, querer e fazer.

 

[2]          DUAS ALIANÇAS — Rm 7.1-6 [1]

a.      Proposição básica (7:1): a lei não obriga os mortos.

b.      1º marido: representa a antiga aliança sob lei; impõe deveres e concede direitos; vigência permanente sobre o homem; não oferece regeneração ou misericórdia.

c.      2º marido: representa a nova aliança com Deus, mediada pela morte de Cristo; concedida ao homem pela misericórdia e graça de Deus, sem contrapartida; a nova aliança lida com as atitudes internas e não com as ações externas. 

d.      Ilustração (7.2,3): assim como a mulher casada está livre para se casar após a morte do marido, mediante a morte de Cristo, estamos livres da lei para Deus; a lei não morreu, mas, em Cristo, nós morremos — a lei não tem poder sobre nós. 

e.      Aplicação (7:4): desde que morremos e a lei não obriga os mortos, não estamos sob a lei; nosso corpo é participante da morte de Cristo (6:3-4).

               i.“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl 3:13).

f.        Paralelos entre os capítulos 6 e 7:[2]

               i.Morremos para o pecado, para a lei (6:2; 7:4)

             ii.Estamos livres do pecado e da lei (6:18; 7:3)

           iii.Justificados do pecado, libertados da lei (6:7; 7:6)

            iv.Novidade de vida, novidade de espírito (6:4; 7:6)

 

[3]          DUAS CONSTATAÇÕES — Rm 7.7-14

a.      Duas constatações: (1) A lei é boa e espiritual, mas (2) o homem é carnal.

               i.Lei espiritual: a lei é espiritual porque provém do Espírito de Deus; a lei foi designada para orientar o espírito do homem e conduzi-lo a Deus. 

             ii.Homem carnal: espiritualmente desligado de Deus e depravado moralmente; a lei de Deus não é reconhecida em seu coração, porque está sob domínio da rebelião (pecado) contra Deus; o pecado se mostra maligno e mata o homem.

b.      Caráter da lei:

c.      Propósito da lei: mostra o pecado (p.ex. régua, prumo, termômetro, etc).

               i.a lei revela o pecado (v 7) porque condena as coisas que nós praticamos.

             ii.a lei dá vida ao pecado (v.8) e assim é fácil para o pecador reconhecê-lo.

           iii.a lei mata o pecador (vv.9-11) espiritualmente e revela as suas fraquezas.

            iv.a lei revela que o pecado é excessivamente maligno (vs.13). 

d.      Ação do pecado: usa a lei como oportunidade para produzir o erro (7:8-11); toma ocasião de uma coisa boa (a lei) para operar algo ruim (morte).

e.      Exemplo de Adão e Eva: o diabo usou o mandamento de Deus. Ele perguntou, "Deus disse?" Persuadiu-os a pecar, e assim matou-os.

f.        Exemplo de Paulo: sem a lei (na infância), o pecado estava morto e ele estava vivo; quando veio a (idade da responsabilidade), pecado viveu e ele morreu (7.9).

g.      Pecado X Lei:

               i.Não haveria pecado se não houvesse lei, porque o pecado é a violação da lei.

             ii.O que é proibido se torna mais atraente (Provérbios 9:17).

h.      Fragmentação: o homem está sob a vigência de duas leis contraditórias;

               i.a lei de Deus mostra o que é certo mas não confere poder para obediência;

             ii.a lei do pecado seduz o homem e impera sobre seu corpo físico;

           iii.a fragmentação interna, causada pelo pecado, não permite que o homem exerça sua autonomia para obedecer ao que saber ser certo; a lei não restaura o pecador, porque não controla a natureza humana; a lei aponta o dever, mas dão dá poder para ser obedecida (ver Gl 3.19).

i.        “A velha natureza não PODE ser controlada pela lei, e a nova natureza não PRECISA ser controlada pela lei” (Pr Eduardo Kittle) [3]

 

[4]          DOIS PRINCÍPIOS — Rm 7.15-23

a.      Propósitos desta seção: 2

               i.inocentar a lei, e pôr a responsabilidade pelo pecado no homem;

             ii.mostrar como o pecado usa a lei para produzir a morte;

           iii.mostrar a relação entre o homem e a lei;

            iv.mostrar nossa necessidade de ser redimidos da lei.

b.      Princípios:

               i.Lei de Deus: o caráter de Deus manifesto em toda ordem da criação (homem, animais, plantas, universo); a lei é boa porque expressa a perfeição de seu Autor.

             ii.Lei do pecado: ‘carne’, poder que domina e opera a velha natureza do homem; força interior que motiva e obriga a certas inclinações espontâneas e contrárias à lei de Deus; o pecado rompe a unidade interna; transgressão (Hb 2.2; 1 Tm 2.14; Rm 2.23; 5.14); impiedade (Rm 1.18;Tt 2.12); injustiça (Rm 1.18); desobediência (Rm 5.19; Hb 2.2; 1 Sm 15.23); errar o alvo.

c.      Lei Espiritual X Homem Carnal: o problema não é a lei, mas o material humano com o qual a lei tem de lidar (7:16; 8:3);

d.      Resultado: o resultado do encontro do homem pecador com a lei espiritual de Deus é a condenação; diante da lei, o pecado captura e escraviza o homem.

e.      Ilustração: imagine uma pessoa com febre; um termômetro indica a temperatura febril mas não combate a febre.

 

[5]          1º PRINCÍPIO —  A LEI DE DEUS

a.      Sentido estrito: a lei mosaica — a lei positivada ou codificada no Decálogo.

b.      Sentido amplo: a lei moral inata ao homem; a noção básica de certo e errado.

c.      Princípios da lei:

               i.legalidade: a lei promove o conhecimento do pecado (7.8-9; 5.13).

             ii.proporcionalidade: a gravidade da ofensa é medida em face da dignidade do que foi ofendido (Deus); o pecado gera morte porque Deus é vida.

           iii.pessoalidade: “a alma que pecar, esta morrerá” (Ez 18.4,20).

d.      Lei de Deus: o mesmo que lei da minha mente (7.25) o que eu quero fazer (7.15).

 

[6]          2º PRINCÍPIO — A LEI DO PECADO

a.      Lei do pecado: ou lei de meus membros; o que eu acabo fazendo; lei que determina um modo de agir contrário à consciência do que é certo.

b.      Lei dos membros (7:21): existe uma luta entre a lei da mente e a lei do pecado.

c.      Dinâmica do pecado: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15).

d.      Dez Mandamentos: mostram que o pecado deve ser tratado no interior primeiro; Paulo descobre que consegue não mentir ou adulterar, mas não consegue deixar de cobiçar.

e.      Cobiça: pecado natural do homem; já estava em seu coração antes da lei (morto); quando a lei proibiu a cobiça, eu a percebi em meu coração; a lei não removeu a cobiça; eu desejo parar de cobiçar, mas não consigo — o pecado está vivo.

 

[7]          COMPARAÇÃO:

a.      Ilustração: imagine que a lei do pecado é a lei da gravidade e que a lei do Espírito é a lei da aerodinâmica. Pela lei da gravidade, todo homem está preso ao chão. Mas se este homem entra em um avião, pela lei da aerodinâmica, ele vence a lei da gravidade. O homem é o mesmo; se ele sair do avião, cairá como qualquer corpo. Mas enquanto está no avião (em Cristo), uma lei anula os efeitos da outra. A primeira lei não revoga a segunda mas cancela a vigência.

b.      Aplicação: todo homem é pecador; pela lei do pecado, todo homem está sujeito à morte; a lei não pode evitar a condenação do homem; Cristo assume a carne humana e torna-se a vítima perfeita — santo e voluntário; ele sofre a penalidade imposta aos pecadores; mediante este sacrifício, todo pecador pode aceitar o perdão de Deus e ser colocado sob outra lei — a lei do Espírito da vida (Rm 8.2).

               i.“a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte” .

             ii.Paráfrase: “Porque a lei da aerodinâmica no avião te livrou da lei da gravidade

 

[8]          PARA REFLETIR

a.      “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20)

b.      “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça” (Rm 6.14; ver vs 6 e 7).

c.      “O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13)

d.      “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

e.      Dilema: “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”  

f.        Resposta: “Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!”

 


[1] Estrutura baseada no Curso de Romanos, de Eduardo Kittle, cap. 5. www.palavraprudente.com.br.

[2] Fischer, Gary. A Carta de Paulo aos Romanos, cap 6. www.estudosdabiblia.net

[3] Kittle, Eduardo. Curso de Romanos, cap. 5. www.palavraprudente.com.br.