EBD

O Ensino Bíblico Gravuras

 

CURSO BÍBLICO: INTEGRALIDADE DO SER

 

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

LIÇÃO 8 —  A CRISE CARNE X ESPÍRITO

ENTRE ROMANOS 7 E ROMANOS 8 

[1]          INTRODUÇÃO

a.      Romanos 7: o ser humano percebe que a lei é boa mas não confere poder para ser cumprida; concorda com a lei mas não tem poder de obedecer. “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”  (Rm 7.24)

b.      Romanos 8: o ser humano descobre que a obediência se torna possível mediante Cristo: “Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!”

c.      Objetivos:

               i.analisar o que Cristo faz entre Romanos 7 e Romanos 8 e em que sentido Cristo é a solução para o dilema humano (Rm 7.24-25);

             ii.analisar a receita de Deus para curar o ser humano: o amor de Deus, a cruz de Cristo e o ministério do Espírito Santo.

 

[2]          ANTES DE DISCUTIR INTEGRIDADE — O QUE NÃO PRODUZ INTEGRIDADE[1]

a.      Ascetismo: negar os prazeres durante algum tempo; negar as vontades; clausura. Jesus fala de negar a si mesmo e não apenas parte de si mesmo.

b.      Luta: orar mais, ler mais a Bíblia, ir mais vezes a igreja, ir à EBD, a célula, etc.; as disciplinas espirituais não podem causar efeitos sobre o ‘eu’.

c.      Treinamento: fazer cursos, congressos, seminários, etc.; nenhum treinamento ou ensinamento produz mortificação do ‘eu’.

d.      Avivamento: encontros especiais, retiros especiais, apelos, decisões, etc.

e.      Crescimento: ir vivendo a vida cristã, cumprindo as tarefas, esperando mudar; o tempo não mortifica a carne.

f.        Trabalho: exercer ministérios, cargos, ativismo.

g.      Experiências: batismo com Espírito Santo, exercícios de dons espirituais, etc.

h.      Confissão: 1 João 1.9 se refere a confessar pecados, mas não crucifica o Eu.

i.        Conclusão:

               i.o pecado atingiu todos os seres humanos (isto é, “todos pecaram” — Rm 3.23) e o ser humano todo (isto, “em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum” — Rm 7.18);

             ii.o pecado corrompe (fragmenta) a natureza humana no sentido de que rejeita o governo de Deus e a submete à autoconfiança, mas sem oferecer garantia de satisfação verdadeira;

           iii.o pecado corrompe (fragmenta) a natureza humana no sentido de que não reconhece a sua dimensão imaterial-espiritual e a submete a uma existência deformada e insatisfatória;

            iv.o homem decaído não pode resolver a si mesmo; nada que ele faça em favor de si mesmo poderá solucionar o seu dilema interior. “O que é nascido da carne é carne” (João 3:6a). 

 

[3]          O QUE PRODUZ INTEGRIDADE — O AMOR DE DEUS

a.      AMOR DE DEUS: Deus é o perfeito amor (1Jo 4.8); ele não amou o homem por qualquer interesse, recompensa ou necessidade; somente quem não precisa de nada em troca pode amar perfeitamente; Deus não foi compelido a amar por qualquer coisa externa a ele mesmo, mas por seu próprio ser; Deus é perfeito e ama perfeitamente; quando ele ama, o faz plenamente e intensamente.

b.      Objeto do amor de Deus: Deus não amou pessoas boas, ou parcialmente boas. Ele amou os seres humanos em seu estado decaído.

               i.“... Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

c.      Motivação do amor de Deus: Deus não esperou que os homens melhorassem para merecer seu amor; ele tomou a iniciativa graciosa e livre (imotivada) de amar os pecadores.

               i.“Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).

d.      Qualidade do amor de Deus: Deus amou o mundo (isto é, todos os homens) com amor eterno (Jr 31.3; Jo 3.16) e insuperável (Jo 15.13); ele amou homem todo (isto é, amou o homem como ele se encontrava).

               i.“... Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito” (Jo 3.16).

             ii.“Ninguém tem maior amor do que este: de dar a própria vida em favor de seus amigos” (Jo 15.13); “eu espontaneamente a [a vida] dou” (Jo 10.17,18).

           iii.“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (1Jo 4.9,10).

e.      Conclusão: Deus amou o homem inteiro quando este se encontrava todo em pecado e irremediável; mediante este amor, o homem não tem de esconder seus aspectos sombrios, mas pode achegar-se para ser perdoado e curado.

 

[4]          O QUE PRODUZ INTEGRIDADE — A CRUZ DE CRISTO

a.      CRUZ DE CRISTO: mediante a cruz de Cristo, a justiça perfeita de Deus é satisfeita e o coração do homem pode ser reconciliado perfeitamente com Deus.  

b.      Libertação do pecado: se o pecado produziu a alienação do relacionamento com Deus, com o próximo e com a natureza e ainda a fragmentação do ser humano, a cruz de Cristo, remove a culpa e destrói o poder do pecado.

c.      Novo homem: mediante a cruz de Cristo, o homem é recriado para Deus.

               i.“[Cristo] aboliu na sua carne a lei dos mandamentos..., para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz” (Ef 2.15).

             ii.“... havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl 1.20).  

d.      Perdão: Deus nos amou quando éramos pecadores (Rm 5.8-10); agora podemos nos achegar continuamente a ele para perdão, purificação, cura e vitória.

e.      Esperança: no sacrifício voluntário e perfeito de Cristo, há esperança para todos os homens e para o homem todo; o ser humano não é abandonado nem rejeitado com suas crises; pelo contrário, é buscado, amado e aceito para ser curado e plenamente reconciliado com Deus.

 

[5]          O QUE PRODUZ INTEGRIDADE — O ESPÍRITO SANTO

a.      ESPÍRITO SANTO: mediante o Espírito Santo, Deus introduz o ser humano na vida de Cristo (identifica), forma, sustenta e renova para a vida de amor de Deus.

b.      Mortifica: o próprio Deus nos liberta do pecado que atua em nosso ser; desativa o poder do pecado que produz fragmentação — des-integridade.

               i.“se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” (Rm 8.13).

             ii.“levando sempre no corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo” (2Co 4.10).

           iii.“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3.5).

            iv.“morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (1Pe 3.18).

c.      Vivifica: o próprio Deus recria e renova o ser humano; produz integridade — uma só mente, um só coração.

               i.“a lei do Espírito da vida te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.2,6,11).

             ii.“Ele vos deu vida...”; “... nos deu vida juntamente com ele” (Ef 2.1,5).

           iii.“vos deu vida juntamente com ele” (Cl 2.13).

 

[6]          PARA REFLETIR

a.      Andrew Murray: [2]

               i.“O poderoso efeito da cruz com Deus, no céu, na cobertura da culpa, e nossa renovada união com Ele, é inseparável do outro efeito – a quebra da autoridade do pecado sobre o homem, pela crucificação do Eu.

             ii.“Desta forma a Escritura nos ensina que a cruz não apenas opera uma disposição ou desejo de fazer tal sacrifício, mas ela realmente dá o poder para fazê-lo e completa a obra. Isso aparece com maravilhosa clareza em Gálatas.

           iii.“Em um lugar a cruz é citada como a reconciliação pela culpa (3:13). Mas há mais outros três lugares onde a cruz é ainda mais claramente citada como a vitória sobre o poder do pecado; como o poder de manter no lugar de morte o ‘EU’ da ‘vida do Eu’; a carne (obras exteriores do Eu); e o mundo (2:20; 5:24 e 6:14).”

            iv.“Nessas passagens nossa união (identificação) com Cristo, e Este crucificado e a conformidade com Ele resultante dessa união, são representadas como o resultado do poder exercido dentro de nós e sobre nós pela cruz.”

b.      Watchman Nee:[3] “Nossos pecados são tratados pelo sangue, nós mesmos somos tratados pela cruz. O sangue provê o nosso perdão, a cruz provê a libertação do que somos em Adão. O sangue pode remover o meu pecado, mas não pode remover o meu velho homem: Eu preciso da cruz para me crucificar – a mim, pecador”.


 

[1] Baseado em “Princípios para o Crescimento Espiritual”, de Miles Stanford, capítulo 11. Mogi das Cruzes/SP. Associação Verdade Bíblica, 2ª edição, 2006.

[2] Citado por Miles Stanford em Princípios para o Crescimento Espiritual”.

[3] Idem.