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O Ensino Bíblico Gravuras

 

CURSO BÍBLICO: TEMOR A DEUS E INTIMIDADE

 

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

LIÇÃO 9 – INTIMIDADE COM DEUS 

Texto: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e mudarei a vossa sorte” (Jeremias 29.13,14).

[1]          Intimidade Com Deus — 5 mitos [1]

a.      Motivado por recompensa: buscar a intimidade visando, acima de tudo, o que Deus fará por nós quando nos aproximamos dele.

               i.Refutação: procurar a Deus por ele mesmo, com fidelidade e constância. 

b.      Informalidade: a intimidade com Deus é igual ao relacionamento descontraído que tenho com meus amigos.

               i.Refutação: se Jesus viesse aqui agora, como eu o receberia? (ver Ap 1.17).

c.      Uniformidade: a experiência de intimidade com Deus deve ser igual para todos.

               i.Refutação: assim como cada ser humano é único, a manifestação de Deus na vida de cada um é única e exclusiva; é possível compartilhar a experiência pessoal com outros, mas não reproduzir a experiência pessoal (ex. discípulos)

d.      Plenitude: experimentar a plenitude da intimidade com Deus aqui e agora.

               i.Refutação: nossa salvação se consumará pela glorificação futura; “agora vemos como em espelho obscuramente; então veremos face a face” (1Co 13.12).

e.      Reserva: experimentar a intimidade com Deus sem entrega total da vida a ele.

               i. Refutação: assim como no relacionamento pessoal, para ter intimidade com o Senhor é necessário render-se completamente (Sl 25.14).

 

[2]          Intimidade Com Deus — 5 verdades [2]

a.      Propósito: o propósito principal do cristão é conhecer a Deus e adorá-lo em obediência, santidade, amor e serviço.

b.      Manifestações especiais: Deus intervém de forma especial ocasionalmente para realizar grandes propósitos de seu reino e para abençoar o seu povo.

c.      Graça: a vida com Deus começa com um supremo ato de graça de Deus — ao perdoar os pecados e salvar integralmente — e continua pela graça sempre.

d.      Sensibilidade: perceber a ação de Deus em todas as coisas grandes e pequenas, quando vemos e quando não vemos o que Ele está fazendo (Mt 5.8).

e.      Afeição: a intimidade que Deus deseja ter conosco é de coração a coração.

               i.Relação integral: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt 22.37,38); os evangelhos de Marcos (12.30) e Lucas (10.27) falam em coração (volitiva), alma (emocional), entendimento (intelectual) e forças.

 

[3]          Intimidade Com Deus — é um processo

a.      Pecado: todos estão separados de Deus e, por conseqüência, separados de si mesmo, do próximo e da natureza (da criação); desconectados.

b.      Reconciliação: todos são chamados à comunhão com Deus e, por conseqüência, a conciliação consigo, com o próximo e com a criação; não há cristãos preferidos.

c.      Crescente: é necessário alcançar certa maturidade a fim de compreender a verdade do evangelho em sua inteireza (Ef 4.13, 14).

               i.Ilustração: um pai não compararia um filho de 5 anos que aprende a nadar com o filho de 15 anos que é campeão juvenil de natação.

             ii.Ilustração: uma criança de 8 anos não compreenderia noções complexas de matemática (equação de 2º grau).

d.      Semente: parábola do semeador — Palavra de Deus é a semente, que germina, cresce e dá fruto, indicando que cabe ao cristão desenvolver o conhecimento da verdade e andar de acordo com o que já recebeu (Fp 3.16).

e.      Oportunidade: Jesus disse aos discípulos que não podia lhes dizer certas coisas naquele momento porque eles ainda não podiam suportar (Jo 16.12).

               i.“tardios em ouvir... quando deveríeis ser mestres... tendes necessidade de alguém que vos ensine de novo... leite e não alimento sólido” (Hb 5.11,12).

             ii.“não vos pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais” 1Co 3.2).

f.        Busca: a busca da intimidade é um compromisso intencional de progredir em direção a Deus e aprofundar o conhecimento dele, confiando unicamente nele, como sendo a única fonte de contentamento, apoio e segurança.

 

[4]          Intimidade Com Deus — pessoal e intransferível

a.      Pessoal: intimidade pressupõe pessoalidade; a revelação se dá na comunhão individual do cristão com Deus. A revelação da verdade é dada a cada um, na medida da fé, da busca e da situação específica.

               i.“No amor não existe medo... o perfeito amor lança fora o medo” (1Jo 4.18).

             ii.A nós, porém, Deus o revelou pelo Espírito. Pois o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus" (1Co 2.10,11).

           iii.“A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14).

b.      Reciprocidade: Deus sabe tudo sobre nós e ainda nos ama — ele não tem ilusões a nosso respeito; o relacionamento com Deus implica em segurança.

               i.“tu me sondas e me conheces” (Sl 139.1); “Conheço-te pelo teu nome“(Ex 33.11).

             ii.“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci” (Jr 1.5).

           iii.“agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus” (Gl 4.9).

            iv.“Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação...” (1Jo 4.10).

              v.“Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim. Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai...As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.14,15,27,28).

c.      Intransferível: não é possível ter revelação por outra pessoa; nós podemos compartilhar com os outros as revelações que recebemos na comunhão individual com Deus, mas apenas para edificá-los e levá-los a buscarem a Deus.

d.      Complementar: nenhum indivíduo ou instituição detém a revelação exclusiva de Deus; o Todo-Poderoso se revela plenamente na comunhão do corpo de Cristo.

 

[5]          Intimidade Com Deus — comunitária e relacional

a.      Imaturidade: se Deus não puder manifestar sua vida em nós, devido a nossa imaturidade, a igreja será como uma creche ou orfanato, isto é, cheia de crianças carentes e sem condições de se darem umas às outras e sugando os outros.

b.      Maturidade: se estamos em comunhão com Deus, “rios de água viva fluem de nosso interior” (Jo 7.37-38), podemos vivenciar a dimensão de “uns aos outros” (Jo 13.34,35; 15.12,17; Rm 12.10; 15.7,14; Gl 5.13; Ef 4.32; 5.21; Cl 3.16; 1Ts 4.18; 5.11; Hb 10.24,25; Tg 5.16; 1Pe 1.22; 5.5) 

c.      Comunitária: embora a intimidade com Deus seja pessoal, ela se expressa necessariamente na comunhão com o próximo, primeiro com a igreja e depois com qualquer um que se tornar o nosso próximo (1 Jo 2.9-11; 3.16-1823; 4.7-21).

d.      Propósito de Deus: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós” (Jo 17.21, oração de Jesus).

 

[6]          Para debater:

a.      Eugene Peterson: “Muitas pessoas supõem que espiritualidade é ficar emocionalmente íntimo de Deus. Isso é uma visão ingênua da espiritualidade. Estamos falando de vida cristã. É seguir a Jesus. A espiritualidade é exatamente igual àquilo que fazemos a dois mil anos, ir à igreja e receber os sacramentos, ser batizados, aprender a orar, e ler as Escrituras da maneira correta. São as coisas normais. Essa promessa de intimidade é ao mesmo tempo correta e equivocada. Existe uma intimidade com Deus, mas é como qualquer outra intimidade; faz parte da substância da vida. No casamento você não se sente íntimo na maioria do tempo. Nem com um amigo. A intimidade não é, em primeiro lugar, uma emoção mística. É um modo de viver, uma abertura para a vida, honestidade, uma certa transparência.” [3]


 

[1] Baseado no livreto Vivendo a Intimidade com Deus, de Joseph M. Stowell, Série Descobrindo a Bíblia, editado pelo Ministério RBC.

[2] Idem.

[3] Entrevista com Eugene Peterson, em www.abuvicosa.com.br.